O Ateísmo de hoje é de fato bem diferente do que era apresentado no século passado. A crença no sobrenatural deixou de ser, para os ateus, algo sem importância ou necessidade de ser refutado. A abordagem que o Ateísmo tem apresentado nesses últimos anos saiu da linha defensiva para a ofensiva. O que antes para eles eram apenas pessoas buscando respostas no invisível passou a ser uma ameaça digna de ser combatida com todas as armas possíveis.
Neo-Ateísmo: declarando guerra contra Deus
“E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao resto da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus Cristo”.
Apocalipse 12:17
Este Ateísmo atual, revigorado e ousado, é uma versão duas vezes mais perigosa que o Ateísmo vigente na década de 60. Um dos renomados líderes evangélicos americanos, R. Albert Mohler Jr. (P.h D. do Southern Baptist Theological Seminary) numa de suas obras, chamada “Ateismo Remix um confronto cristão aos novos ateístas”, escreveu:
“O Neo-ateísmo não é somente uma reafirmação do ateísmo. É um movimento que representa um desafio público ao cristianismo muito maior do que o desafio apresentado pelos movimentos ateístas anteriores. Além disso, Neo-ateísmo não é apenas outro exemplo de promoção de uma ideia na era pós-moderna. Os novos ateístas são, à sua própria maneira, evangelistas em sua intensão e ambiciosos em sua esperança. Veem o ateísmo como única cosmovisão lógica para nosso tempo e a fé em Deus como tremendamente perigosa – um produto do passado, que não podemos mais tolerar ou, muito menos, estimular”.
Para Mohler, o ateísmo deixou de ser uma simples posição filosófica, passando a assumir descaradamente um espírito de recrutamento para a causa ateísta. Ele também enfatiza o fato de que o acesso da população geral a livros e materiais ateístas vem crescendo velozmente. Cita também o posicionamento e as obras literárias de Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris e Christopher Hitchens, vistos como “Os quatro cavaleiros do Apocalipse” nesse pós-moderno cenário ateísta. Mohler defende também a grande importância do posicionamento cristão em resposta a este movimento que não tem outro objetivo se não banir toda e qualquer forma de crença, forçando a humanidade a entrar num estado de puro racionalismo, apoiando-se no apelo do cientificamente comprovado. É nítido que qualquer posicionamento feito por esses novos ateístas, objetiva apontar para o homem como uma única e suficiente fonte de conhecimento e verdade, mas para isso acontecer, Deus tem que ser descartado.
Vimos no capítulo anterior que o homem não poderia ter sido o autor dos dez mandamentos devido ao fato que ele, desde a queda, não é naturalmente dotado da mesma essência dos mesmos, do contrário eles não existiriam, pois não haveria tal necessidade. Ainda que os dez mandamentos tivessem uma autoria humana, notamos que o decoro deste conjunto de leis não é respeitado pela comunidade ateísta. Dessa forma, mesmo desconsiderando a autoria como vinda de Deus, ainda assim, teríamos um grupo de pessoas que é visivelmente contra o decoro dos dez mandamentos, dos quais por sua vez fazem parte do caráter do autor. Considerando que Deus seja o autor dos dez mandamentos, temos no ateísmo não apenas uma negação contra o Teísmo, mas uma confirmada oposição. Mas como é possível, para o ateísmo que nega a existência de Deus, se posicionar contra o que, para eles, não existe?
Existe uma impossibilidade de o homem nivelar-se ao decoro dos dez mandamentos, por essa razão é bem lógico associa-lo a algo de natureza sobre-humana. Mas uma vez que os ateus não querem nivelar-se a este padrão, ele acaba tomando um rumo alternativo e diretamente contrário. Nesse rumo ele inevitavelmente cria o seu padrão de moral, tentando relativizar algo que não pode ser relativizado. Assim temos, de um lado Deus e o decoro dos dez mandamentos e do outro o homem e a relativização dos mesmos. Em outras palavras, o ateísmo pode até concordar (em alguns poucos casos) com o decoro dos dez mandamentos, mas nunca irá concordar com o seu autor. Assim o que é que ele faz? Não concorda com ambos, lei e autor, criando a sua própria versão de moralidade. E como isso acontece? Observe o politicamente correto.
Um ateu é um “homem educado” que aceita que homens e mulheres devem ter o mesmo papel na sociedade e que homossexualismo e lesbianismo são coisas completamente naturais. Aceitam também que um ser vivo não é necessariamente vivo enquanto estiver no útero de sua mãe, tendo ela total direito sobre o destino do feto. Que um doente terminal deva receber “com misericórdia” uma sentença de morte em resposta a sua incurável doença. Que é um tremendo abuso físico, intelectual e infantil um casal tentar ensinar a seus filhos sobre uma religião ou mesmo disciplinarem-no com as boas e eficazes palmadas.
Compromisso com o Mal
“E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más”.
João 3:19
Sabemos que o princípio básico do ateísmo está na negação da existência de Deus. Se Deus, que para os ateus, não existe, então nenhuma obra poderá ter sido de sua autoria, entre as tais estão à criação do universo e a lei moral dos dez mandamentos como exemplos. Se nenhum desses fatos pode ser explicado (criação do universo) ou atribuído ao homem (lei moral), o apelo para o desconhecido é muito mais presente no Ateísmo do que no Teísmo. Atribuir a Deus, simplesmente, tais feitos, é algo inaceitável da parte dos ateus. Eles alegam que há uma pobreza intelectual muito grande em aceitarmos o surgimento de coisas tão complexas em detrimento à existência de um deus invisível. Pode parecer uma questão de fé apenas, mas a grande verdade é que os ateus não estão compromissados com a verdade em primeiro lugar e sim com as suas obras, que aos olhos de Deus são más.
Não falta fé da parte dos ateus para aceitar que Deus exista, mas falta fé para eles aceitarem ser salvos por Deus. Todo ateu teve a oportunidade no seu íntimo de comprovar a existência de Deus, mas nenhum deles está disposto, uma vez que admitam Deus, a deixar de serem quem são por amor a Deus. Uma vez que os ateus admitam Deus e a sua justiça, terão que se conformarem e aceitá-la, o que implicará numa transformação que nem todos estarão dispostos a fazer. Se a transformação do homem terreno (ateu) no homem celeste (crente) se mostrasse como uma prova do poder de Deus sobre a vida humana e tal prova nunca pode ser admitida como verdade, o que fazer então quanto ao autor deste poder? Negá-lo, negá-lo e negá-lo.
Se por um lado, um homem passa a crer e decide viver sobre os preceitos de Deus, ele gradativamente será moldado à imagem do autor de tais preceitos. Se tais preceitos decorrem do decoro dos dez mandamentos, eventualmente um crente verdadeiro se tornará uma pessoa boa, pois optou por observar e viver sob o decoro das leis de Deus, mas por outro lado, se temos um homem que decide não observar tais leis, negando assim o autor delas, não poderemos dizer que em termos de decoro, essa pessoa incrédula seja superior a um crente. Se através do decoro da lei “Não cometerás adultério”, o crente entende que o sexo fora do casamento é errado, porque razão alguém pensaria o inverso? Pela mesma razão que o Ateísmo nega a Deus, pelo comprometimento primário com suas más obras. Se o crente, que segue o decoro das leis de Deus, observa o mandamento e não pratica sexo fora do casamento, o ateu, que antes se compromete com a sua vontade de fazer sexo fora do casamento, não seguirá tal mandamento. Tanto os crentes como os ateus entendem que há nobreza e decoro em tal lei, mas apenas o crente tem a disposição de seguir, pois ele se compromete primariamente com a vontade de Deus. Já o ateu, por não querer abdicar de sua vontade, ignora o decoro da lei e a nulifica, criticando-a de diversas formas, diminuindo assim a importância e o decoro da lei a um simples costume retrógrado ou obsoleto.
Este raciocínio confirma Satanás, ainda mais, como pai do Ateísmo. Sua natureza reconhece desde muito tempo o decoro de Deus, mas ele não está disposto a se sujeitar a isso e em resposta mantém-se em sua eterna rebelião, não por pura pirraça, mas pelo seu comprometimento com as suas obras que são más. Da mesma forma são os seus súditos, ateus, negando a autoridade e poderio de Deus em detrimento de suas más condutas. Ateus acusam rotineiramente os crentes de serem pessoas de mente fechada e orgulham-se assim de serem eles, pessoas de mente aberta, experimentadas no conhecimento intelectual, desprovido de senso passional. Mas ao olharmos atentamente, percebemos que é totalmente o inverso disso. São eles que fecham suas mentes para a inegável existência de Deus e concentram-se nas verdades das obras de homens depravados, que antes, negariam qualquer verdade, por mais óbvia que fosse, para não se apartarem de seus pensamentos e práticas corruptas.
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