segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O Pai do Ateísmo

            O Ateísmo é uma cosmovisão que se organizou e ganhou reconhecimento mundial em decorrência do movimento Iluminista, transformando, desde meados dos anos 60, o panorama cultural da época numa cultura sem crenças no divino. Esta doutrina tem sido desde então, popularizada através das elites intelectuais, que falam não só a seus adeptos ateístas, mas ditam indiretamente suas filosofias e argumentações para o mundo todo. Apesar disso, o ateísmo não é algo recente, uma de suas primeiras disposições é vista no salmo 53:1 onde lemos: “Disse o tolo em seu coração: Não há Deus”. Apesar desta reflexão ter bem mais de dois mil anos, podemos nos remeter à uma aparição ainda mais antiga, formulada bem antes dos primitivos pais da humanidade, na verdade bem antes da criação do próprio Jardim do Éden.

Da verdade à mentira
           
“Então a serpente disse à mulher: Certamente, não morrereis”.
Genesis 3:4

O Senhor Deus criou astuto e belo, o que nos parece ser a criatura mais antiga de todas, Satanás (Ez 28:12-15). É decepcionante saber que, mesmo diante das palavras do próprio Deus, o homem ainda tente se mostrar mais esperto, ignorando os milenares degraus de intelecto que esta antiga serpente, outrora adornada de toda sorte de pedras preciosas e um dia achada entre as pedras afogueadas no Monte Santo de Deus, possui. No entanto, o seu resplendor já é de muito tempo destinado à apreciação dos homens, que frente às tentações, têm-se engodado com seus corações corruptos nas concupiscências de sua carne (Tg 1:14). O uso de conhecimentos deturpados da verdade bíblica e a indução especulativa que cada homem tem no seu coração ao questionar Deus, podem ser de fato, grandes reflexos do enorme estrago que Satanás provocou com a queda de Adão, transferindo o seu espírito de negação e desordem através das gerações (Gn 3:1).
Se pudermos observar o ateísmo com atenção, perceberemos que há algo bem concreto no tocante a verificação do que se possa ser dito como verdade propriamente dita. O ateísmo professa estar apoiado na verdade, mas o que é a verdade no seu sentido mais comum? Sabemos que a verdade é absoluta e não pode ser relativizada. A verdade também não pode ser criada, apenas descoberta, o que é real existe por si só. E por ser absoluta, ela é também única, pois não é possível que existam várias verdades, pois a qualidade de verdade em si, exclui todos os seus opostos, classificando-os como falsos. A verdade também é transcultural e imutável, não estando presa a construções culturais, no sentido de tornar várias culturas opostas verdadeiras ao mesmo tempo, nem pode ainda mudar com o passar do tempo. Da forma mais simples, podemos construir a premissa de que, se concluímos que algo é verdade, essa verdade será real para todo o mundo e para todo o sempre. Se algo é de fato real, existirá uma impossibilidade lógica de que esse algo possa ser negado. Da mesma forma se o real é uma informação que nos é trazida por uma ordem original, a sua negação trará automaticamente uma desordem. Dessa forma temos que a realidade é de fato a verdade e contar uma verdade é contar aquilo que é real e é assim que a humanidade se comporta em relação ao que é real e o que é falso.
Mas se vivemos numa óbvia realidade, logo presumimos que ela teve uma ordem inicial, mas de onde veio essa ordem? Boa parte da filosofia secular, diz que não se pode ter certeza nenhuma sobre absolutamente nada que exista (Agnosticismo). Repare que esta afirmação, além de ser falsa (pois como ele teria certeza de que nenhuma certeza possa ser conseguida?), limita a própria existência a uma eterna interrogação. Podemos aceitar que nem toda a verdade possa ser conhecida, mas não que boa parte dela o possa, com isso, apelamos para a interpretação das coisas que se vêem para assim entender as coisas que não se vêem (Rm 1:20). É um erro pensarmos que a realidade assim como a verdade não podem ser conhecidas, pois somos indesculpáveis pela própria existência, que manifesta na criação uma ordem inicial, inteligente e externa ao homem, porém, muitos, hipocritamente, tentam da vazão para um eterno anonimato negando esta notória ordem inicial.
Assim, visto que na apreensão da criação, comprovamos que o conhecimento da realidade e da verdade não são coisas que possam ser criadas, mas apenas descobertas. O que muitas religiões chamam de Deus é, diferente do que os ateus pensam, apreendido em nossa realidade mediante tudo que existe. A questão não é se Deus é a resposta mais lógica e simples para tudo que existe, pois isso Ele é de fato, a grande questão é: o que se pode fazer em resposta a esta realidade? Se esta realidade não me agrada, poderia eu mudá-la? Reinterpretá-la? E o que seria a reinterpretação da verdade? A resposta é: mentira. Mas o que é a mentira, se não uma negativa da verdade? A mentira é a velha distorção da verdade de Deus, visível, audível e observável, e não é algo novo no repertório de Satanás. A primeira mentira proferida, pelo menos no nosso mundo físico, foi uma grande e grotesca deturpação da verdade de Deus, usada para tentar a Adão e Eva. Apesar disso, a mentira, não foi a única motivadora na investida bem sucedida da velha serpente, mas foi também amparada pelos desejos interiores de cada um de nossos pais primitivos. Jesus disse que os homens naturais têm por pai o Diabo, justificando que os seus desejos são cópias fiéis dos de seu amo, mostrando que o “almejar a condição de Deus” é uma característica específica, herdada por nossa espécie daquele que a primeiro a possuiu, Satanás, quando tentou impor-se contra o Pai Altíssimo (Is 14:13). Satanás nunca se firmou na verdade, ao contrário, quis se apoderar dela e nisso caiu em engano, tornando-se o autor de algo que nunca poderia ter sido criado por Deus, a mentira (Jo 8:44), dela, Satanás pode se gloriar, pois é a filha de seu orgulho e mãe de todas as desgraças que vieram a se manifestar por seu intermédio.
Mas se de Deus é a verdade então o que sobra para Satanás? Apenas a sua filha, a mentira. De modo que, basicamente, tudo que se opõe a Deus, tem em seu alicerce a mentira como base, visto que não há engano naquilo que procede de Deus, pois o mesmo é impedido pela sua própria natureza, como aquele que não pode mentir e do qual é a base para todas as promessas (Tt 1:2). Em função de si próprio, como fonte absoluta da verdade ele não só não pode mentir como não precisa mentir. Se Deus pudesse mentir, seu caráter se autodestruiria. Para o homem, tornar-se conhecedor, assim como Deus, do bem e do mal e, por conseguinte se igualar a Ele, pareceu algo muito interessante para os corações de Adão e Eva. A expectativa em se igualar a seu criador era tão extasiante que nem foi necessário um ardil mais complexo da parte de Satanás. O conjunto da obra gerada pelo somatório de uma mentira (não morrer) e um desejo interior (igualar-se a Deus), trouxe a decadência de nossa raça, galgada na pura negação da verdade e das conseqüências desta negação, em outras palavras, a incredulidade de Adão e Eva acerca de Deus, o ateísmo em sua forma mais primitiva. Desde então, a prática da mentira passou a ser para nós o que um belo par de presas é para um leão. Uma arma, com a qual a humanidade vem lutando contra Deus desde os tempos pré-diluvianos. Com a mesma longanimidade que Deus manteve-se em perpétua advertência sobre seus estatutos, manteve-se também o homem em sua deturpação contínua da verdade. Se Jesus Cristo é o caminho a verdade e a vida (Jo 14:6) e diz que os que permanecem nas suas palavras declaram-se certamente como seus discípulos (Jo 8:31), logo, aqueles que não são seus discípulos esgueiram-se entre seus opostos, os opostos que são herança do homem terreno e que tem por mestre o Diabo (que está em contraponto a Cristo), sendo ele o abismo, a mentira e a morte.
No capítulo 1, versículo 25 do livro de Romanos está escrito: Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amem”. Numa opinião particular, não encontrei em toda a Bíblia, versículo tão apropriado que reproduzisse em tamanha semelhança o espírito do ateísmo de Satanás. Nele está obviamente visualizado muito mais do que se pode apreender sobre a conduta dos homens, que assim como Satanás, negam a Deus a primazia sobre a verdade para que seus desejos adúlteros possam ser alcançados. Esse versículo também nos remete fielmente a não mais anátema, visão humanista. O Humanismo é um dos parceiros do ateísmo, a autoidolatria, um sentimento que impulsionou a incredulidade de Adão e Eva. O ateísmo, assim como Satanás, não conhece fronteiras, a atuação deste último para com o próprio Jesus Cristo no deserto mostrasse mais como um vendedor picareta que tenta vender algo que não é seu. Fisgado pela aparente fraqueza da natureza humana de Jesus, Satanás o tenta de diversas formas e fracassa como o previsto, pois Cristo, amparado na verdade, tem em absoluto como pífias, todas as investidas de seu adversário. Mas Satanás, mesmo sendo conhecedor destas coisas, por intermédio dos profetas, não consegue aquietar-se de sua própria maledicência e mesmo não sendo guiado pela sua filha, a mentira, se mantém fiel ao seu espírito transgressor e desordeiro.
Paralelamente a isso vemos que qualquer ateu reconhece, com facilidade, nas coisas visíveis, as coisas invisíveis de Deus, mas a sua insistente tentativa em negar esta ordem inicial, mostrasse no final das contas como uma simples tentativa de justificar as suas obras corruptas, se rebelando contra tudo que é verdade, assim como seu mestre, Satanás, que vem fazendo a mesma coisa ao longo dos séculos.

Um falso anonimato
           
Porque confiaste na tua maldade e disseste: Ninguém me pode ver; a tua sabedoria e a tua ciência, isso te fez desviar, e disseste no teu coração: Eu sou, e fora de mim não há outro”.
Isaías 47:10

Existe uma maneira bem eficaz, mas não muito suave para se entender o espírito do ateísmo. Devemos observar com atenção a natureza de seu verdadeiro autor não declarado, Satanás. Curiosamente, Satanás teve sua origem no próprio céu e mais do que qualquer um, ele é ou já foi, bem familiarizado com a existência de Deus, do Céu, dos anjos, Inferno e tudo mais. No entanto, se você perguntar a Satanás se Deus existe, ele com certeza mentirá e negará, pergunte-se se o próprio Satanás existe e ele mentirá novamente e irá negar sua própria existência, mesmo que esteja diante de você. Da mesma forma, podemos concluir que no plano espiritual há uma impossibilidade lógica de que Satanás possa negar a Deus, impossibilidade tão similar como a de uma pintura negar que alguém a pintou, pois sua negativa mutila a sua própria existência, não obstante, Satanás o nega diante dos homens, apesar de tudo que sabe sobre Deus.
Podemos fazer uma ponte entre essa insistência de negar a Deus que Satanás tem e enxergarmos também no ateísmo uma simples e pura negação da existência de Deus, mesmo diante de tantas provas espalhadas ao nosso derredor. Satanás está no mesmo barco de todos os ateus, ambos tem ou tiveram a oportunidade de reconhecer cada uma das inúmeras provas da existência de Deus, eles também estão bem familiarizados com estes fatos, mas eles dizem que não admitirão Deus sob nenhuma hipótese ou situação. Qualquer ateu, até mesmo o mais intelectualizado, percebe claramente as impressões digitais de Deus sobre toda a criação, mas se recusa a admitir que Ele é o Criador. Qualquer ateu percebe que a moralidade absoluta que guia ligeiramente a humanidade é de certa forma externa e incrivelmente similar ao decálogo, os dez mandamentos, mas recusam-se a admitir que Deus seja o autor desta moralidade. Mesmo os ateus percebendo o decoro e a perfeição dos dez mandamentos, recusam-se a admitir que os mesmos são superiores a todos os outros conjuntos de leis já idealizados. Todos os ateus percebem que por trás de nosso Senhor Jesus Cristo, há muito mais do que um homem sábio, bom e humilde, mas mesmo assim negam que Ele possa ser portador de uma natureza divina. Nem mesmo como Tomé, que tocou as chagas de Jesus e comprovou sua fé pelo que viu, nem mesmo assim um ateu admitiria (Jo 20:27-29).
Satanás não seria o autor do Ateísmo por pura definição, antes parto da simples e pura afirmativa de que o ateísmo já é em sua essência uma negação a existência de Deus, um simples esforço deliberado para não admitir a existência de Deus independente de tudo que mostre verdadeiro em relação a Ele. Porém, apesar de tudo, os ateus julgam-se donos dessa “verdade adversa”, sem mesmo saber que esta não é de autoria deles, veja o que diz a Bíblia: Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos que não crêem, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (II Co 4:4). Os que não crêem tiveram seu entendimento cegado pelo deus deste século, Satanás, que está oculto na ciência e na cultura geral da humanidade. O apelo ao termo “cientificamente comprovado”, nunca foi tão usado por nossa geração, aonde os cientistas do presente vieram a se tornar os sacerdotes do passado.

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