Já vimos que o ateísmo é uma doutrina que não usa a verdade como pilar de suas ideologias e sim um sentimento meramente corrupto que priva pela autossatisfação, afastando para isso toda e qualquer crença divina. Apesar disso, muitos ateus desenvolveram ao longo do tempo lógicas falsas (sofismas), que são usadas para ludibriar os incautos que acabam caindo e se filiando a este movimento maligno. É necessário que estejamos prontos para identificar, cada um desses sofismas, e desmascara-los sutilmente para que, com a Graça de Deus, possamos desatar as mentes daqueles que professam o ateísmo como verdade.
Ateus: sábios ou loucos?
“Ninguém se engane a si mesmo; se alguém, de entre vós, se tem por sábio neste mundo, faça-se louco, para ser sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia”.
I Coríntios 3:18-19
Como foi abordado nos capítulos anteriores, se um ateu afirmar que os dez mandamentos tiveram uma autoria humana estará ele sendo totalmente ilógico, pois a natural incompatibilidade que o homem tem com o decoro dos dez mandamentos é evidente. Mas admitindo-se que isso tivesse sido possível, tal homem, apesar de primitivo, seria moralmente superior a todos os outros homens que vieram a nascer neste mundo, mais até que os civilizados ateus de hoje, que são contrários ao decoro das leis dos dez mandamentos.
Se isso não provasse que a autoria destas leis é divina, provaria no mínimo que os ateus são incapazes de alcançar o padrão de decoro destas mesmas leis, em virtude de sua contrariedade a elas. Se não podem adequar-se ao decoro das leis do Autor, como então esperam entender ao Autor que estar acima delas? Se pessoas sem nenhuma educação podem falar tão vividamente sobre Deus, claramente percebemos que a origem da sabedoria necessária para compreender a Deus não é humana, há uma enorme limitação, não intelectual, mas espiritual, da parte dos ateus, pois se precisamos de olhos para ver e ouvidos para ouvir, se faz necessário que tenhamos fé para crer.
Enquanto os ateus julgarem a fé como uma simples expressão cultural sem importância, eles estarão condenados a nunca entenderem a Deus. “Ora, sem fé, é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11:6).
Ninguém está em cima do muro
“Ninguém pode servir a dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamon”.
Mateus 6:24
Quando confrontados com a afirmação que Satanás é o autor do ateísmo, muitos ateus usam a seguinte afirmação: “Satanás não é o autor do ateísmo. Como ateu que sou, não creio em Satanás tanto quanto não creio em Deus. Eu não me torno um adorador de Satanás simplesmente pelo fato de não crer em qualquer divindade. Isso também não faz de mim um criminoso, pois eu não sou pecador, porque também não creio na definição de pecado”.
Observe que há um erro na resposta do ateu à afirmação, perceba que este ateu julga ser impossível, para ele, ser adorador de Satanás pelo fato de não acreditar no próprio. Os ateus acham que o culto a Satanás está subordinado ao reconhecimento da existência de Satanás. Uma vez que a negação de Satanás não anula a existência dele o culto de sua pessoa também não é dispensado. Mesmo o ateu, não admitindo que seja seu seguidor, não acha neutralidade no seu posicionamento, que é comprovado através da conduta de sua vida. Se o bem e o mal existem, e Deus por motivos óbvios (o decoro de suas leis) se posiciona como representante do bem, logo aqueles que não se adequam a Deus e se contrapõe ao mesmo, confirmam sua posição no outro lado (lado de Satanás). Assim como Jesus disse na Bíblia: “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha” (Mt 12:30).
Quando Deus criou o homem, ele era propriedade de seu reino, mas quando ele caiu pelo pecado, Satanás se tornou o senhor e rei de toda a humanidade e por essa razão todos os homens já nascem escravos de Satanás, independentemente de suas crenças. Jesus Cristo veio ao mundo para resgatar o homem da escravidão do pecado do qual Satanás é senhor, pois como está escrito: “Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno” (I Jo 5:19). Podemos utilizar a mesma lógica para refutar a informação de que o ateu não crê ser pecador por não concordar com a definição divina de pecado. Pois o desacordo com uma definição divina não dispensa uma pessoa de ser pecadora, mesmo que ela sinceramente acredite que não seja.
Supondo uma inexistência
“Porque as suas coisas invisíveis (as coisas de Deus), desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem, pelas coisas que estão criadas, para que eles (os homens) fiquem indesculpáveis”.
Romanos 1:20
Alguns ateus lançam a seguinte suposição: “E se Deus não existir”? Simples. Se não houvesse Deus, então nada existiria. Pois o que vem a ser criado não pode estar alheio ao que causou a sua criação. Se Deus não existe, então nada existe, uma vez que existimos, Deus existe, do contrário como justificaríamos a nossa existência? Assim vemos que a maior prova da existência de Deus é a própria existência da realidade. Supor que Deus não existe é uma falácia, visto que a origem da causa primeira (nossa própria existência), é a que gera nossa suposição e para isso precisa ser ignorada.
Como odiar algo que não existe?
“Não como Caim, que era do maligno e matou o seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más, e as do seu irmão justas”.
I João 3:12
Uma vez que entendemos a filosofia ateísta, logicamente associamos a sua clara oposição para com Deus. Mesmo assim os ateus dizem que não se trata de oposição, visto que assim como não se pode se opor ao que não existe, não se pode odiar o que não existe. Essa afirmação tem enganado a muitos. Embora seja verdade que não se possa odiar o que não existe, os ateus sentem o inverso disso, eles sabem que Deus existe (não necessariamente o Deus cristão) e é por isso que eles o odeiam. Embora eles, no seu interior, saibam dessa verdade, associam essa mesma verdade a um argumento que mostra uma impossibilidade de crer num Deus verdadeiro, mediante a diversas crenças existentes. No entanto, o único e verdadeiro Deus (não necessariamente o Deus cristão embora cremos sim ser Ele o único) existe, independentemente de quaisquer outros deuses da imaginação humana. Se é assim então de onde vem o ódio? O ódio é uma resposta ao decoro deste Deus. Os fariseus achavam que criam no mesmo Deus que Jesus pregava, porém Cristo os confrontou com o decoro que Deus realmente tinha e exigia, daqueles que se diziam seus servos. Este decoro não foi aceito pelos fariseus e assim, a sua crença se converteu em ódio, porque as obras dos fariseus eram más. Veja o que diz a Bíblia:
“Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim” (Jo 10:25).
“Os judeus pegaram então, outra vez, em pedras, para o apedrejar. Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas; procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais?” (Jo 10:31-32)
“Se não faço as obras do meu Pai, não me acrediteis. Mas, se as faço, e não credes em mim, crede nas obras; para que conheçais e acrediteis que o Pai está em mim e eu nele.” (Jo 10:37-38)
A questão a se fazer ao ateísmo é: Porque não crê naquilo que é bom? E quem de fato é bom se não Deus? A resposta que os ateus podem nos dar é a mesma que os fariseus deram a Jesus: Porque preferimos as nossas más obras ao invés das boas que não são nossas.
Uma bofetada apologética
“Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos”.
I João 3:12
É muito comum ouvir ateus se referirem a cristãos como pessoas desprovidas de pensamento racional e crítico. Embora tenhamos que admitir que boa parte dos crentes de hoje sejam pessoas comuns sem muita instrução, mas não se pode subestimar a defesa da fé, pois há argumentos extra bíblicos bem significativos para justificarmos a fé cristã. Graças a Deus, um alto nível intelectual não é necessário para que entendamos as simples verdades do evangelho de Jesus Cristo. Deus em sua rica misericórdia cuidou para que a salvação não se desse por intelecto e com isso ele humilhará os altivos e exaltará os símplices de coração. Mas, enquanto a misericórdia de Deus não é aceita pelos ateus, devemos nos posicionar firmes na defesa de nossa fé (I Pe 3:15).
Um bom argumento que todo ateu deveria considerar é a quantidade de matéria e energia usada na criação. Matéria e energia não podem ser criadas ou destruídas. Este é um princípio básico da ciência. Esta preservação dos átomos é chamada como “Lei de Conservação da Massa”. Uma vez que os átomos são conservados durante e após as reações químicas, os produtos das reações são meras equações químicas. Existe uma ligação muito próxima dessa lei e a existência de Deus. Observe que, se a matéria não pode ser criada sob nenhuma hipótese, como tudo veio a ser criado?
A razão de nós estarmos aqui mostra que essa regra tem com certeza uma exceção. Algo ou alguém de fato é capaz de criar a matéria. Seja qual for a razão da criação, essa razão não pode ser atribuída a uma inexistência, o que inexiste não tem capacidade de criar coisas que passem a existir. Assim, a causa que originou a criação não pode ter tido uma outra causa de mesma natureza, devemos concluir que esta causa não foi passageira, mas sim permanente, eterna, pois o que é eterno sempre existiu e não precisaria para isso de uma outra causa (Princípio da Causalidade). Note também, que aquele que criou tudo que há, não o fez de qualquer maneira, pois notamos uma extrema ordem e complexidade na criação. Se esta causa é pessoal (pois houve uma decisão de criar) e inteligente (criou de forma ordenada e complexa), quem mais, se não Deus, poderia ter sido esta causa?
Negar este argumento é extremamente difícil, para não dizer impossível. Encontrar uma causa que seja pessoal, inteligente, imune a tempo, espaço e matéria, com um extraordinário poder de criação, suficiente para manter tudo que há no universo em atividade até hoje e ainda assim não chamar esta causa de Deus é muita relutância em aceitar o óbvio, digo mais, é uma recusa infantil em admitir a prova esmagadora da Sua existência.
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